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sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Reencontrando


"Que bom ver a sala cheia e sentir no olhar das pessoas que elas estão redescobrindo o prazer de ouvir música." 
(Saulo Silva, designer e coordenador de divulgação do "Elegia ao Violão")

Nosso projeto já está chegando ao seu 5º recital, sendo que até agora estamos retornando a Centros Culturais já visitados em 2011. Estivemos no São Geraldo (11/8), Jardim Guanabara (25/8), Alto Vera Cruz (30/8) e Lindeia/Regina (13/9); no próximo domingo (30/9) estaremos no Centro Cultural Pampulha, a partir das 10h da manhã.

                                               Centro Cultural Alto Vera Cruz - 30/8/2012  - foto de Daniel Protzner

Em todos eles a confirmação de uma premissa do projeto Elegia ao Violão - oportunizar o contato do público com a música clássica, cuja produção em Belo Horizonte raramente ultrapassa as salas tradicionais da região central: até o momento tivemos recitais cheios, inclusive reencontrando pessoas que nos prestigiaram no ano passado e que trouxeram seus próprios convidados.

 Centro Cultural Alto Vera Cruz - 30/8/2012 - foto de Daniel Protzner

Centro Cultural Lindeia/Regina - 13/9/2012 - foto de Daniel Protzner

O apoio dos gestores dos Centros Culturais que já conhecem o projeto não foi nada tímido; recebemos um tratamento prestimoso destes que já consideramos nossos "sócios": Ângelo Andrade, Camila Goulart, Cristiene Carvalho, Jair Azevedo, Randolpho Landim... 
E, se não bastasse a presença, nosso público ainda nos ensejou momentos de consolo - apertos de mão, agradecimentos, abraços e votos de sucesso. Não temos como agradecer por manifestações tão espontâneas e generosas, senão dando continuidade e aperfeiçoamento à nossa iniciativa. 
Ainda há 12 recitais!
Muito obrigado!



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Impressões...




""...E em nossa mente em febre a aranha fia e tece,
Com paciente labor, fantásticas visões..."
Foi exatamente o que me aconteceu ao ouvir, sentir e degustar Ricardo extraindo do violão, histórias, sensações, emoções. Adorei e recomendo!!!"
Márcia Araújo - poetisa e gestora do Centro Cultural Pampulha


"Um repertório instigante, que viaja através da história do instrumento, dando ao público virtuosismo e lirismo em boas doses. Um concerto que certamente vale a pena ouvir."
Stanley Levi - compositor, violonista, professor da Escola de Música da UFMG


"Iniciativa fantástica! Que toque a todos quanto puder, pois esta arte é divina e bela. Parabéns!"
Rodrigo Eloi - artista plástico


"Seu talento e simpatia, acompanhados da boa música com a qual você nos presenteia, deixam nossa vida mais doce e menos áspera na construção dia-a-dia."
Francisco Mendonça - advogado


"Fui ao concerto (...) e, confesso, me surpreendi positivamente com a receptividade do público, o carinho demonstrado por todos, desde os mais jovens até as mentes mais arraigadas a certos paradigmas do campo da arte e da música. O repertório, o tom, a didática, tudo isso encantou a todos nós! Parabéns (...) a toda a equipe que trabalhou para que esse projeto fosse aprovado!"
Aline Labbate Galvão - jornalista


"Foi sensacional. Primeiro pelo seu domínio do instrumento, em seguida, pela ótima reação do público. Belo projeto (...), prova de que todas as comunidades, por mais periféricas que sejam, se sensibilizam com a boa música."
Ângelo Andrade - músico e gestor do Centro Cultural Alto Vera Cruz
terça-feira, 1 de novembro de 2011

Spleen






“Quando o cinzento céu, como pesada tampa,
Carrega sobre nós, e nossa alma atormenta,
E a sua fria cor sobre a terra se estampa,
O dia transformado em noite pardacenta;

Quando se muda a terra em húmida enxovia
D'onde a Esperança, qual morcego espavorido,
Foge, roçando ao muro a sua asa sombria,
Com a cabeça a dar no tecto apodrecido;

Quando a chuva, caindo a cântaros, parece
D'uma prisão enorme os sinistros varões,
E em nossa mente em frebre a aranha fia e tece,
Com paciente labor, fantásticas visões,

- Ouve-se o bimbalhar dos sinos retumbantes,
Lançando para os céus um brado furibundo,
Como os doridos ais de espíritos errantes
Que a chorar e a carpir se arrastam pelo mundo;

Soturnos funerais deslizam tristemente
Em minh'alma sombria. A sucumbida Esp'rança,
Lamenta-se, chorando; e a Angústia, cruelmente,
Seu negro pavilhão sobre os meus ombros lança!“


O poema acima, intitulado “Spleen”, faz parte da obra “As flores do mal” de Charles Baudelaire (que vemos abaixo), aqui, traduzido do original francês para o português por Delfim Guimarães.

O termo “spleen” – palavra inglesa para "baço" – se consagrou durante o século XIX para exprimir o sentimento de tédio sem causa, desesperança, ceticismo e melancolia, típicos da geração de poetas do chamado ultra-romantismo, ou mal du siècle. A conexão entre aquele órgão e estes sentimentos deriva da medicina grega antiga, que considerava cada órgão como sede de determinados humores.

No Brasil, um legítimo representante deste estilo foi Álvares de Azevedo:


“Minh'alma tenebrosa se entristece,
E muda como sala mortuária...
Deito-me só e triste, sem ter fome
Vejo na mesa a ceia solitária

Ó lua, ó lua bela dos amores,
Se tu és moça e tens um peito amigo, Não me deixes assim dormir solteiro,
À meia-noite vem cear comigo!”

(trecho do poema “Solidão”, da série Spleen e Charutos)

Segundo Ivan Junqueira, "o spleen é a expressão suprema do famoso "tédio baudelairiano", oposto à aspiração do poeta pelo absoluto e o infinito, cujo símbolo é o ideal"*. O poeta se posiciona como alguém que parece adivinhar no futuro o seu retorno a uma vida espiritual plena de que foi temporariamente apartado, sem conseguir fazer mais que desejá-la. Não deve ser por acaso que a geração seguinte - de poetas condoreiros - se caracterizará pela luta por causas sociais...

O Estudo n. 11 - da série de 12 Estudos escritos pelo brasileiro Francisco Mignone em 1970 - é um legítimo herdeiro das lúgubres gôndolas de Franz Liszt: uma barcarola densa, pessimista, de sonoridades escuras. Intitulado "Spleen", ele está posicionado justamente em meio a uma sequência de estudos que exploram a leveza e fluidez dos ritmos de dança do folclore brasileiro. É como se Mignone quisesse acrescentar à sua monumental obra um tom de drama, um elemento de inflexão formal que justifica e salienta o tom de epifania nas coisas simples que há em outros estudos, como o n. 9. (Em outro post comentamos sobre a relação entre os estudos "n. 4" de Mignone e Liszt.)

O Spleen de Mignone, que temos tocado entre os estudos n. 4 e n. 9, provocou muitos comentários entre os presentes ao nosso recital no Centro Cultural Pampulha, no dia 30/10/11; justamente um Centro onde é notável a vocação para a poesia cultivada por muitos de seus frequentadores e gestores. Ficamos intrigados com a coincidência, e imensamente felizes por conhecer e estimular pessoalmente poetas como a Márcia Araújo, que como nós têm encontrado na arte uma forma de superar noites pardacentas e angústias cruéis, numa caminhada em que o spleen se transfigurou em simples anseio por transcendência.

Na imagem no início do post vemos um retrato deste caminhante que chega a contemplar, do alto, as próprias nuvens (Der Wanderer über dem Nebelmeer, de Caspar David Friedrich - 1818).

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Música renascentista espanhola: Luys de Narváez - II

A contrarreforma e a pujança do império espanhol do católico Carlos V geraram um rico cenário cultural, marcado por intensa religiosidade, misticismo e um certo "saudosismo" dos tempos medievais. É nesta Espanha que surgiriam figuras como Tereza D’Ávila – que, entre campanhas de assistência aos pobres, escrevia poemas e orações e tinha êxtases espirituais – e Don Quijote – o famoso personagem de Miguel de Cervantes que enlouqueceu de tanto ler romances de cavalaria, acreditando-se ele também um cavaleiro errante num mundo que já não acreditava em justas e gigantes ameaçadores.

Luys de Narváez (sobre quem já falamos em outro post) tomou um tema da tradição do Canto Gregoriano – o hino “a nuestra Señora” O Gloriosa Domina – e escreveu-lhe seis variações ("diferencias") para compor o 4º de seus Seys libros del Delphin de música de cifra para tañer vihuela. Como se não bastasse o clima fortemente místico de sua música – altamente inspirada na do compositor franco-flamengo Josquin des Prés, um preferido de Carlos V –, Narváez, ao escolher este tema, deu-lhe um tratamento de seriedade e erudição que jamais deixa de provocar um senso de contemplação no ouvinte, em que pese a variedade textural que ele cria a partir do material tão tipicamente simples deste hino medieval.

É música para fazer parar o tempo, apaziguando os pesadelos de um Don Quijote – ou abrindo os céus de uma Tereza D’Ávila...

Esta música, que abre o programa de nosso recital, causou sensação no Centro Cultural Alto Vera Cruz, no dia 20/10/2011; e no próximo domingo (30/10/2011) ela será apresentada no Centro Cultural Pampulha, dando prosseguimento à circulação do “Elegia ao violão” por BH.
Acima, esculturas em bronze de Don Quijote e Sancho Panza, que Lorenzo Coullaut Valera executou na década de 1920 em Madrid; e ao lado, o famoso Estasi di Santa Teresa de Bernini.
Como amostra, deixamos um exemplo da música de Luys de Narváez: uma de suas Fantasias.

Ricardo Marçal

Ricardo Marçal

O violonista belo-horizontino Ricardo Marçal (29) tem se dedicado a uma crescente agenda de concertos pelas mais diversas regiões do Brasil, cativando a simpatia do público e atraindo a atenção de meios de imprensa como os programas “Violões em Foco” e o tradicional “Música e Músicos do Brasil”, ambos da Rádio MEC-FM. É bacharel em Música pela UFMG na classe do professor Fernando Araújo, foi bolsista do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão por dois anos, prossegue seus estudos regulares como aluno particular do aclamado violonista Fábio Zanon e, a convite do maestro Oscar Ghiglia, tem se aperfeiçoado nos cursos anuais de verão da Accademia Musicale Chigiana de Siena, na Itália. Como solista tem se apresentado regularmente em importantes séries por Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia e São Paulo. Seus projetos para 2012 incluem a 2a temporada do projeto "Elegia ao Violão", uma nova turnê com o quarteto de violões Corda Nova, do qual é membro fundador e uma turnê estadual com o Quarteto de Cordas da família Barros. Como pesquisador, Ricardo está elaborando um trabalho de pesquisa sobre o repertório de música de câmara com violão do início do séc. XIX em parceria com o historiador Gerson Castro e é professor dos cursos de história da música e apreciação musical da Academia de Ideias. Além disso, coordena a criação de uma série de música de câmara nos municípios mineiros de Betim, Brumadinho, Contagem, Crucilândia e Esmeraldas. (4/2012)

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GRADE DE APRESENTAÇÕES - 2012

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30 de outubro
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